São exatamente quatro da manhã, uma madrugada quieta e fria, que aos poucos vai enfraquecendo-me junto das lágrimas que molham meu rosto, e consequentemente, encharcam feito um balde d’água o meu pijama. O papel em minhas mãos revela todo o motivo pelo qual sofro, pelo qual passei consecutivas noites acordada, sofrendo. Tento ao máximo não acordar ninguém, mas parece que meus soluços não reconhecem o quão barulhentos podem ser. E cá estou, sozinha, no quarto, onde a tv no mudo trás a única claridade que me permite ler. Aos poucos as palavras vão saindo entre os soluços, os pensamentos vem e vão como um balanço, mas um, somente um único pensamento permanece fixo em minha mente, e era justamente o que me dizia que jamais teria a oportunidade de te ver , de te abraçar como sempre sonhei. Como aceitar isso? Soluções trágicas me vem à cabeça. Porque não ficar próximo de você? É o que eu mais quero no momento. Porque não tirar minha vida para acabar com esse sofrimento? A raiva, a tristeza e a inconformação se juntam e formam em mim um sentimento de desistência. E de repente me encontro no chão do banheiro, ainda entre meus soluços que aumentam cada vez mais. O filete, que por sinal era bem afiado, que encontrava-se em minha mão refletia a luz que vinha de uma pequena brecha da janela que ao ser aberta mostrava pra mim uma das melhores artes que já pude ver, a Lua. Fixei meus olhos nela, e ficaria ali olhando caso pudesse, por toda a minha vida. Mas a noite é curta assim como eu pensava que minha vida seria. Naquela noite nada aconteceu, mas nos dias seguintes me cortar parecia fazer parte da rotina. Até que a dor já não era grande, assim como o medo que ia diminuindo a cada risco no braço, a cada gota de sangue. E cada vez mais eu ia me afastando de amigos, da minha família, não queria saber da escola, só pensava no dia em que teria coragem de tirar minha vida só pra poder ficar ao seu lado. Dias se seguiram e de repente me aparece uma segunda carta, na qual suas palavras me confortavam mais. A cada “eu te amo” um grande sorriso, e no final um pedido de que apesar de tudo, eu não deveria pensar que fazer o que você fez ajudaria ou melhoraria minha situação. Aos poucos essa idéia louca foi saindo da minha cabeça, mais coisas boas vieram, e sempre com o pensamento vidrado em você, que sempre quis me ver feliz, sempre fez de tudo pra que eu me sentisse bem. Sei que estás longe no momento, mas sinto como se estivesse do meu lado, e como se nos momentos difíceis que eu passo, você sussurrasse no meu ouvido “Eu estou com você meu amor, tenha fé. Acredite, tudo vai melhorar”. E assim vou seguindo minha vida, acreditando que em algum dia, nos encontraremos novamente.
São exatamente quatro da manhã, uma madrugada quieta e fria, que aos poucos vai enfraquecendo-me junto das lágrimas que molham meu rosto, e consequentemente, encharcam feito um balde d’água o meu pijama. O papel em minhas mãos revela todo o motivo pelo qual sofro, pelo qual passei consecutivas noites acordada, sofrendo. Tento ao máximo não acordar ninguém, mas parece que meus soluços não reconhecem o quão barulhentos podem ser. E cá estou, sozinha, no quarto, onde a tv no mudo trás a única claridade que me permite ler. Aos poucos as palavras vão saindo entre os soluços, os pensamentos vem e vão como um balanço, mas um, somente um único pensamento permanece fixo em minha mente, e era justamente o que me dizia que jamais teria a oportunidade de te ver , de te abraçar como sempre sonhei. Como aceitar isso? Soluções trágicas me vem à cabeça. Porque não ficar próximo de você? É o que eu mais quero no momento. Porque não tirar minha vida para acabar com esse sofrimento? A raiva, a tristeza e a inconformação se juntam e formam em mim um sentimento de desistência. E de repente me encontro no chão do banheiro, ainda entre meus soluços que aumentam cada vez mais. O filete, que por sinal era bem afiado, que encontrava-se em minha mão refletia a luz que vinha de uma pequena brecha da janela que ao ser aberta mostrava pra mim uma das melhores artes que já pude ver, a Lua. Fixei meus olhos nela, e ficaria ali olhando caso pudesse, por toda a minha vida. Mas a noite é curta assim como eu pensava que minha vida seria. Naquela noite nada aconteceu, mas nos dias seguintes me cortar parecia fazer parte da rotina. Até que a dor já não era grande, assim como o medo que ia diminuindo a cada risco no braço, a cada gota de sangue. E cada vez mais eu ia me afastando de amigos, da minha família, não queria saber da escola, só pensava no dia em que teria coragem de tirar minha vida só pra poder ficar ao seu lado. Dias se seguiram e de repente me aparece uma segunda carta, na qual suas palavras me confortavam mais. A cada “eu te amo” um grande sorriso, e no final um pedido de que apesar de tudo, eu não deveria pensar que fazer o que você fez ajudaria ou melhoraria minha situação. Aos poucos essa idéia louca foi saindo da minha cabeça, mais coisas boas vieram, e sempre com o pensamento vidrado em você, que sempre quis me ver feliz, sempre fez de tudo pra que eu me sentisse bem. Sei que estás longe no momento, mas sinto como se estivesse do meu lado, e como se nos momentos difíceis que eu passo, você sussurrasse no meu ouvido “Eu estou com você meu amor, tenha fé. Acredite, tudo vai melhorar”. E assim vou seguindo minha vida, acreditando que em algum dia, nos encontraremos novamente.